Sorocaba, aumenta número de autuações pelo o uso indevido de vagas especiais

Idoso cartãoO estacionamento irregular em vagas destinadas a idosos gerou 2.071 autuações de janeiro a abril deste ano, de acordo com a Urbes – Trânsito e Transportes. O número supera em 18,5% o total registrado durante todo o ano passado, quando foram emitidas 1.748 multas por esse motivo. O desrespeito às vagas para pessoas com deficiência, por sua vez, resultou em 486 autuações no primeiro quadrimestre de 2015, o que representa mais da metade das 875 do ano anterior. A Urbes não informou os motivos que levaram ao aumento.

O ato de estacionar nas vagas especiais atingem, principalmente, a população idosa de Sorocaba. De acordo com a Urbes, o centro da cidade conta com 132 vagas exclusivas para esses condutores. Outras 166 são destinadas a pessoas com deficiência. São poucas vagas, quando se leva em consideração o número de motoristas autorizados a utilizá-las. Desde 2009, 6.216 portadores de necessidades especiais obtiveram credencial para uso das vagas especiais. Já o número de idosos, no mesmo período, chegou a 53.844.

O maior número de autuações pela Urbes se deve ao estacionamento não autorizado nas vagas de idosos. O uso dessas vagas sem autorização, de acordo com a empresa pública, constitui infração de trânsito de natureza leve, com acréscimo de três pontos ao prontuário do condutor e multa pecuniária no valor de R$ 53,20.
Levantamento da Urbes aponta que, no ano passado, foram aplicadas 875 autuações por desrespeito às vagas para portadores de necessidades especiais e 1.748 autuações por desrespeito às vagas de idosos. Em 2013, os agentes de trânsito deram 947 multas para quem desrespeitou as vagas de deficientes. Já as autuações por desrespeito às vagas de idosos somaram 1.719.

Idoso placas
O maior número de autuações por desrespeito às vagas especiais, no ano passado, foi na rua Leopoldo Machado, no centro. Segundo a Urbes, 20,24% das multas para quem estacionou irregularmente em vagas para deficientes foi naquela via. Já o uso irregular das vagas para idosos, na mesma rua, representaram 22,98% de todo o volume de autuações. A reportagem do Cruzeiro do Sul permaneceu cerca de 15 minutos próximo a vagas especiais, na manhã da última sexta-feira. Nesse período, dois motoristas estacionaram de maneira irregular. Um deles, alegou que parou “apenas para pegar um documento”.

Desrespeito

O desrespeito com as vagas exclusivas acaba atingindo idosos como o mestre de obras Isaque Luiz Neto, 66 anos, que afirma ter tido sorte, na última sexta-feira, por ter conseguido uma vaga livre, na frente do Poupatempo. “Já tive que deixar três quarteirões para cima e estou com problema para andar”, conta. Segundo ele, a maioria respeita as vagas especiais, mas tem gente que não liga e estaciona. “O pessoal aproveita, porque é difícil achar vaga no centro.”
A professora Maria Aparecida de Oliveira, 62 anos, por outro lado, teve de dar duas voltas no quarteirão do Poupatempo e do Terminal São Paulo até encontrar a vaga a que tem direito. Apesar disso, ela também acredita que teve sorte por encontrar uma vaga, uma vez que sempre acaba pagando estacionamento privado. “Aqui (rua Leopoldo Machado) são três vagas, o que é muito pouco, porque a população têm crescido”, opina.
Para o presidente do Conselho Municipal do Idoso, Luiz Gildes, o problema não é novo e deriva da cultura do brasileiro de querer levar vantagem. “Os estacionamentos para idosos ficam, geralmente, perto das entradas dos estabelecimentos e os folgados acabam parando”, diz.

Idoso solo
O sociólogo Rodolfo Schian, professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), contudo, avalia que o modelo de educação atual — voltado para as preocupações de mercado e valores individualistas — é o responsável por esse tipo de situação. Nesse caso, ele diz, esses motoristas param menos nas vagas destinadas a deficientes porque existe uma pressão da sociedade contra pessoas que fazem isso. “É medo neste caso e não a coexistência ideal, ou seja, o ideal de igualdade, respeitando as diferenças”, ressalta. Para o professor, seria possível falar em endurecer as leis, mas isso apenas iria mascarar o problema.
Como forma de tentar resolver a questão, o Conselho do Idoso pediu à Urbes que estude a viabilidade de criar um número de contato para que o idoso informa aos agentes de trânsito casos de desrespeito desse tipo. Assim, acredita Gildes, será possível inibir os motoristas a não estacionar nesses locais sem autorização.

Anderson Oliveira – Jornal Cruzeiro do Sul

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