São Roque SP, anoitecer em um sábado de outono

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O Som do Silêncio

Olá escuridão, minha velha amiga
  Vim conversar com você de novo
  Porque uma visão um pouco arrepiante
  Deixou sementes enquanto eu dormia
  E a visão que foi plantada em meu cérebro
  Ainda permanece dentro do som do silêncio
Em sonhos agitados eu caminhei só
  Em ruas estreitas de paralelepípedos
  Sob a luz das lampadas da rua
  Levantei minha lapela para me proteger do frio e umidade
Quando meus olhos foram apunhalados
  Pelo brilho de uma luz de néon
  Que rachou a noite
  E tocou o som do silêncio
E na luz nua eu vi
  Dez mil pessoas, talvez mais
  Pessoas conversando sem falar
  Pessoas ouvindo sem escutar
Pessoas escrevendo canções
  Que vozes jamais compartilharam
  E ninguém ousava
  Perturbar o som do silêncio
“Tolos” eu disse, “vocês não sabem
  Silêncio é como um câncer que cresce
  Ouçam as palavras que eu possa lhes ensinar
  Tomem os braços que eu possa lhes estender”
Mas minhas palavras caíam como gotas silenciosas de chuva
  E ecoavam no poço do silêncio
E as pessoas curvavam-se e rezavam
  Ao Deus de néon que elas criaram
  E a placa faiscou o seu aviso
  Nas palavras que formava
E a placa dizia,
  “As palavras dos profetas
  Estão escritas nas paredes do metrô
  E nos corredores das casas”
  E sussurravam no som do silêncio
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