Sorocaba, greve de ônibus novamente

Em mais uma manhã de paralisação do transporte coletivo urbano em Sorocaba, os usuários do sistema demonstram impaciência com a situação. De acordo com Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, 70% da frota está circulando em horários de pico e 50% nos demais. Porém, a distribuição da frota tem causado descontentamento.
No Terminal Santo Antônio, durante a manhã desta quinta-feira (06/7/2017), muitos passageiros circulavam ou aguardavam nas filas. Entretanto, algumas linhas não estavam circulando. O posto de informações era procurado constantemente por passageiros confusos.

No ponto do Campolim, centenas de pessoas formam uma longa fila e reclamam que não aparece um ônibus para o bairro há mais de uma hora. Próximo das 7h40, o pedreiro Juracir de Lima relatava estar esperando desde as 6h20. Ele ligava para os companheiros de trabalho para avisar que talvez não conseguisse chegar a tempo de realizar um serviço. Desde o início da greve conta que já perdeu três dias de trabalho. “Faz falta no fim do mês. A gente tem que pagar aluguel e as contas”, lamentou.
A doméstica Maria Nilda Lins, 51 anos, estava revoltada com a situação. Ela conta que, nos últimos dias, se locomover virou motivo de estresse. Em alguns dias, a patroa pagou para que fosse trabalhar de Uber e em outros enfrentou longas esperas. Nesta manhã, conta que os ônibus na Vila Helena demoraram, mas que vários passaram ao mesmo tempo. “Passaram em comboio”, relata.
A diarista Solange de Fátima, de 45 anos, foi surpreendida no terminal ao saber que a linha Policlínica não estava circulando. A moça conta que pega esse ônibus para ir trabalhar. ” Se eu perder o dia, não ganho”, explicou a diarista.

Nos bairros

A greve do transporte coletivo de Sorocaba está mudando a rotina nos bairros mais afastados do Centro da cidade. Os moradores relatam dificuldades para chegar ao trabalho no horário, além de dias perdidos e gastos adicionais com transporte alternativo, como o Uber.
Na Área de Transferência do Ipiranga, na zona oeste da cidade, alguns usuários relatavam que os ônibus passavam em comboio e que passageiros entravam pelas portas traseiras sem pagar a passagem.
A vendedora Helen Prado, 21 anos, tentava chegar ao Centro e conta que já perdeu dois dias de trabalho desde o início da greve. Ela só não teve mais faltas por ter optado por utilizar o Uber em algumas ocasiões . A moça conta, porém, que com a alta demanda pelo aplicativo, gerada pela greve do transporte público, os preços ficam mais altos e chega a pagar R$ 30 para ir trabalhar. A greve teria mudado a rotina das pessoas do bairro. “Eu gasto dinheiro indo de Uber, mas as pessoas contam que estão combinando com colegas de trabalho para ir juntos ou ficam esperando ônibus”, diz.

No residencial Carandá, na zona norte, os pontos de ônibus estavam cheios, especialmente o ponto final, onde moradores relatavam espera de até uma hora para a saída dos ônibus. A auxiliar de limpeza Solange Costa, 50 anos, tem chegado atrasada ao trabalho, precisando pagar as horas posteriormente. Ela reclamava que o transporte público é essencial para os residente do bairro, que é afastado dos principais centros de compras e serviços.Dois ônibus passaram juntos e os usuários, revoltados com a demora, embarcaram pelas portas traseiras sem passar os cartões na catraca.

A greve dos motoristas do transporte coletivo de Sorocaba foi retomada na madrugada desta quinta-feira (06/7/2017), após confirmação da paralisação pelo Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região.Os ônibus voltaram a circular com apenas 50% da frota nas ruas, índice que aumenta para 70% em horários de pico (das 6h às 9h e das 17h às 20h), atendendo a liminar judicial que já havia sido expedida anteriormente.

Segundo a entidade, essa situação pode perdurar por mais de um mês, até o julgamento do dissídio coletivo da categoria pela Justiça do Trabalho, o que está previsto para acontecer no dia 9 de agosto. A diminuição do número de carros nas ruas permanecerá também aos finais de semana, porém o transporte especial continuará a funcionar em 100% todos os dias. Segundo o sindicato, essa já é a maior paralisação, em número de dias, dos trabalhadores do transporte coletivo em Sorocaba. Até ontem somavam-se oito dias de serviços suspensos desde o início de junho.

Sorocaba salário motorista 110717

A decisão dos motoristas e trabalhadores do transporte coletivo não atende à determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15ª), que após a quinta audiência de conciliação, realizada na manhã de ontem — na qual também não houve acordo entre sindicato e as empresas Sorocaba Transportes Urbanos (STU) e Consórcio Sorocaba (Consor) — determinou, além do dissídio coletivo (quando o Tribunal definirá a concessão ou não do aumento), que a greve fosse suspensa, até o julgamento final. Isso porque o juiz relator do processo, Hamilton Luiz Scarabelim, concedeu tutela de urgência garantindo, para a decisão judicial, alguns pontos que durante as audiências ficaram próximos do consenso entre as partes: reajuste de 4% sobre o salário de abril, vale-refeição de R$ 21 ao dia a partir de novembro, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a ser paga no retorno das férias de cada trabalhador, de R$ 1.500 e a quitação da diferença salarial das folhas de maio e junho no final de julho. Estas garantias, entretanto, foram atreladas à suspensão da greve. Com a manutenção do movimento, os trabalhadores abrem mão dos termos propostos, que seriam como condições mínimas no momento de julgamento do dissídio. “A tutela de urgência não determina multa caso a categoria retome a paralisação”, posicionou o sindicato, em nota. Horas antes, a Urbes – Trânsito e Transportes divulgou um comunicado oficial no qual afirmou que caso o sindicato “decida fazer a paralisação de ônibus estará descumprindo uma ordem judicial e a Urbes tomará todas as medidas cabíveis”.

Nesta luta pelo reajuste salarial dos trabalhadores do transporte coletivo de Sorocaba, o sindicato diz não abrir mão de aumento real. Segundo a entidade, neste momento a reivindicação tem como referência o benefício conquistado pelos trabalhadores do transporte urbano de Votorantim: reajuste salarial de 4% retroativo a maio e 1,57% a partir de setembro, aumento no vale-refeição para R$ 21 por dia a partir de novembro e R$ 1.600 de PLR, “sendo que o Sindicato dos Rodoviários já fechou acordos coletivos com o setor de fretamento e com várias empresas de transporte urbano da região, intermunicipal e rodoviário com reajuste salarial maior do que o concedido em Votorantim”.Em nota, o Consor divulgou que “embora a decisão do Tribunal vá além daquilo que a empresa propunha, em razão das dificuldades enfrentadas pela população usuária do sistema, ela (Consor) está determinada a cumprir o definido pelo TRT”. A STU também se manifestou afirmando que “pensando em evitar maiores transtornos aos seus clientes, está disposta a cumprir as condições determinadas pelo sr. juiz relator”.

Jornal Cruzeiro do Sul

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